Domingo de ramos.
Ou, mais um outono.
Ontem me lembrei muito da minha mãe. Ela não tinha religião, mas gostava de ir à missa do domingo de ramos. Sempre voltava alegre sacudindo o raminho.
Meu aniversário está chegando e vai ser o primeiro sem ela. Não sei o que pensar, não me acostumei. Tem dia que olho fotos e me lembro dela, rio das bobeiras que ela dizia, das brincadeiras que fazia e choro de saudade. E a vida segue.
Meu filho mais velho perguntou se as folhas das árvores realmente caem ou se é “invenção estadunidense” (sim, palavras dele). No momento da pergunta, estávamos parados na calçada esperando o sinal fechar para os carros. Não é uma das partes mais bonitas da cidade. Tem um túnel, uma cabine policial, uma quadra, um estacionamento abandonado. Tudo isso rodeado por amendoeiras (na verdade, não estou certa se o nome da árvore é mesmo esse, mas foi como aprendi na infância). É um caminho que fazemos com frequência, então propus um exercício:
—Tá vendo aquela árvore ali? Como estão as folhas?
Ele olhou na direção que apontei e respondeu:
— Está cheia de folhas. Toooooooodas verdes.
— Daqui a um mês você olha de novo para ela e me diz se tem algo diferente. No último dia de outono olha de novo, e me diz de novo como ela está.
Ele não pareceu satisfeito com a sugestão, o outono mal começou e ele estava impaciente para ver a mudança de cores. De qualquer forma, vou fazer o exercício e observar.
Offline: comecei a destralhar a casa. É muita coisa, muita coisa mesmo e a tarefa vai levar tempo. Comecei pelo que estava me incomodando mais: a mesa de trabalho. Estava cheia de papeis, livros, cadernos, brinquedos e eu sabia que se não começasse por ela, não voltaria a escrever. Joguei muito papel no lixo, separei as canetas, apontei lápis. Uma vez a Fal me disse para deixar os cadernos visíveis e agora eles estão numa prateleira da estante bem ao lado da mesa. Minha mesa de trabalho é realmente um lugar importante para mim, onde sinto que realmente escrevo. Já comecei a sentir os efeitos: escrevo todos os dias depois do café da manhã, pelo menos 15 minutos.
Estou satisfeita que tenho conseguido ler com frequência. A maioria em ebook ou audiolivro, pela praticidade. Recentemente terminei:
Síndrome da impostora, de Anne Montalort e Élisabeth Cadoche. Tradução Emanuela Feixa. Narrado: Paola Molinari. Editora Companhia Editora Nacional, 2025 (em áudio).
Helena, Machado de Assis. Narrado por Tatih Kohler. Editora Skeelo, 2023 (em áudio).
A insubmissa, Cristina Peri Rossi. Tradução de Anita Rivera Guerra, editora Bazar do tempo, 2025 (ebook).
Toda ansiedade merece um abraço, Alexandre Coimbra Amaral. Editora Paidós, 2023 (ebook).
Coisa de rico, Michel Alcoforado. Editora Todavia, 2025 (ebook).
Por hoje é isso.
Até mais, Elaine.


